Estratégia para o Mercado Interno
O Mercado Interno: realizações e desafios num processo contínuo
O Mercado Interno pode ser considerado o mecanismo mais poderoso de integração económica, sendo igualmente um instrumento fundamental para o processo de integração social e política. É sustentado por quatro pilares, as chamadas "quatro liberdades": (i) livre circulação de pessoas, (ii) de bens/mercadorias, (iii) de serviços e (iv) de capitais em toda a Europa, o que originou novas oportunidades comerciais, abriu mercados e contribuiu para o crescimento económico.
Com efeito, com a assinatura do Tratado de Roma, em 1957, ao ser criada a Comunidade Económica Europeia, já estava subjacente a ideia da constituição de um Mercado Interno "sem fronteiras" (mercado único) onde a mobilidade de pessoas, bens, serviços e capitais fosse uma realidade.
Contudo, só com a assinatura do Acto Único Europeu, em 1986, é definida uma data limite para a entrada em vigor do mercado único (1 de Janeiro de 1993). Por conseguinte, a partir do início de 1993, para além da livre circulação de bens, serviços e capitais, em matéria de livre circulação de pessoas, é reconhecido aos cidadãos dos estados-membros, no Tratado de Maastricht, o direito de circular e residir na União Europeia, sem referência a uma actividade económica (cidadania europeia).
Se os princípios da livre circulação se encontram consagrados nos Tratados, as normas específicas constam dos regulamentos e directivas, devendo todos os estados-membros aplicar as normas dentro dos prazos previstos, de modo a que toda a União Europeia possa beneficiar delas e todas as empresas possam operar nas mesmas condições em todos os estados-membros.
No caso de não existirem normas harmonizadas, aplica-se o princípio do reconhecimento mútuo, o qual assegura a livre circulação de mercadorias e serviços sem que seja necessário harmonizar as legislações nacionais dos estados‑membros. A venda de um produto legalmente fabricado num estado-membro não pode, por conseguinte, ser proibida noutro estado-membro, ainda que as prescrições técnicas ou qualitativas sejam diferentes das obrigatoriamente aplicáveis aos seus próprios produtos. A única excepção, sujeita a condições estritas, é a salvaguarda do interesse geral, como a saúde, a defesa do consumidor ou a protecção do ambiente. Aplica-se o mesmo princípio em matéria de serviços. Em geral, são as regras do estado-membro de origem que prevalecem, garantindo-se o respeito do princípio da subsidiariedade, evitando-se a criação de uma regulamentação pormenorizada a nível comunitário e assegurando-se um maior respeito pelas tradições locais, regionais e nacionais, o que permite manter a diversidade dos produtos e serviços.
No entanto, e apesar de o Mercado Interno representar uma das maiores realizações da construção europeia, constitui-se também como um dos seus maiores desafios, visto tratar-se de um processo contínuo e dinâmico destinado a estimular a produção, reforçar a concorrência, baixar os preços e fomentar, dessa forma, a procura. A plena realização do Mercado Interno e a garantia do seu bom funcionamento continuam a ser fundamentais para a concretização dos objectivos económicos e políticos presentes e futuros da União Europeia.
Estratégia para o Mercado Interno: colher todos os benefícios do Mercado Interno
Em virtude de o programa do Mercado Interno ser um processo que nada tem de estático ou de imutável, encontrando-se em permanente evolução, há a necessidade de serem revistos os domínios prioritários que deverão ser objecto de uma definição estratégica das medidas concretas a implementar durante um determinado período, visando consolidar os alicerces do Mercado Interno, melhorar o seu desempenho e assegurar que a sua coesão global não será prejudicada face a novas realidades como o envelhecimento das populações, a globalização ou o alargamento.
Neste contexto, a definição da Estratégia do Mercado Interno constitui um dos instrumentos mais importantes de coordenação das políticas económicas ao nível da União Europeia, juntamente com as Linhas Directrizes Integradas (as quais integram as Orientações Gerais de Política Económica e as Orientações para o Emprego), devendo ser perspectivada no sentido de impulsionar o objectivo axial definido no quadro da Estratégia de Lisboa, no sentido de tornar a União Europeia“na economia baseada no conhecimento mais dinâmica e competitiva do mundo, capaz de garantir um crescimento económico sustentável, com mais e melhores empregos, e com maior coesão social”.
Estratégia para o Mercado Interno: prioridades 2003-2006
O objectivo desta Estratégia foi o de reforçar as bases e os aspectos fundamentais do Mercado Interno para aproveitar ao máximo as vantagens de um mercado alargado a 25 estados-membros, estabelecendo, para o efeito, uma lista de prioridades e um calendário de trabalho para o período de 2003-2006.
As prioridades estabelecidas foram as seguintes:
- facilitar a circulação de mercadorias;- integrar os mercados financeiros;- assegurar indústrias de rede de elevada qualidade;- reduzir o impacto das barreiras fiscais;- expandir as oportunidades da contratação pública;- melhorar as condições para as empresas;- responder ao desafio demográfico;- simplificar o enquadramento regulamentar;- assegurar o cumprimento das regras;- melhorar a política de informação;- aproveitar ao máximo as vantagens de um mercado interno alargado.
- facilitar a circulação de mercadorias;
- integrar os mercados financeiros;
- assegurar indústrias de rede de elevada qualidade;
- reduzir o impacto das barreiras fiscais;
- expandir as oportunidades da contratação pública;
- melhorar as condições para as empresas;
- responder ao desafio demográfico;
- simplificar o enquadramento regulamentar;
- assegurar o cumprimento das regras;
- melhorar a política de informação;
- aproveitar ao máximo as vantagens de um mercado interno alargado.

