null Comissão Europeia melhora perspetivas de crescimento da economia portuguesa para 2022 e 2023

Imagem de inverno, com as copas das árvores altas (perspetiva de baixo para cima) com neve.

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A Comissão Europeia (CE) publicou, no dia 10 de fevereiro, as previsões económicas intercalares de inverno de 2022 - que abrangem apenas as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e da inflação - dos vários estados-membros da União Europeia, para os anos de 2022 e 2023.

De acordo com as referidas previsões, projeta-se que o produto da área do euro cresça 4% em 2022 e 2,7% em 2023 (o que compara com as previsões económicas de outono de 2021, cujos valores apontavam para um crescimento de 4,3% em 2022 e 2,4% em 2023). Em 2022, a economia da área do euro com maior crescimento económico será Malta com 6% (6,2% na publicação anterior) e a mais fraca será a Bélgica com 2,7% (apesar da melhoria de 0,1 p.p. face à publicação anterior).

Estes resultados menos otimistas refletem um crescimento mais fraco no primeiro trimestre de 2022, marcado pelo impacto da pandemia e pelos estrangulamentos do lado da oferta. Apesar de se esperar que os congestionamentos nos setores dos transportes e dos metais se dissipem ao longo de 2022, as carências nos semicondutores continuarão por resolver até 2023. Para além destes, a CE destaca ainda a evolução dos preços da energia como obstáculo a um maior crescimento.

As expetativas de preços de energia mais elevados por um período de tempo mais alargado originaram a revisão em alta da inflação, medida pelo índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC), sendo expectável que a mesma observe registos de 3,5% em 2022 e de 1,7% em 2023 (2,2% em 2022 e 1,4% em 2023 na publicação precedente).

A inflação projetada para 2022 reflete os rápidos aumentos do índice de preços na última parte de 2021, tendo ficado o nível de preços significativamente acima do registado nos 12 meses antes. Mesmo que os preços se estabilizem ao longo do ano, não se prevê que a inflação homóloga permaneça abaixo de 2% até ao terceiro trimestre. Para 2023, prevê-se a dissipação do efeito da aceleração de preços de 2021, assim como a normalização das cadeias de fornecimento e dos preços da energia, provocando uma desaceleração da inflação.

Já quanto às previsões de crescimento do PIB para Portugal, estas são revistas em alta face à publicação anterior (em 0,2 p.p. tanto para 2022 como para 2023), registando-se 5,5% em 2022 e 2,6% para 2023. Este crescimento reflete o avanço na procura interna, e em particular a contribuição da implementação do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) assim como a evolução positiva do setor externo em 2022, originada pela recuperação do turismo, apesar dos riscos associados a este, em virtude da evolução da pandemia.

Neste sentido, a CE aponta para que o PIB português atinja o nível pré-pandemia no segundo trimestre de 2022.

Por fim e quanto à evolução dos preços, é esperada uma inflação de 2,3% e de 1,3% em 2022 e 2023, respetivamente (mais 0,6 p.p. em 2022 e mais 0,1 p.p. em 2023 quando comparado com as previsões anteriores). A inflação é impulsionada pelos efeitos base e pela recuperação dos preços dos serviços, apesar de se perspetivar um declínio na evolução dos preços da energia.

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