null Banco de Portugal revê crescimento da economia portuguesa em alta e inflação em baixa, para 2023

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No Boletim Económico de junho, publicado pelo Banco de Portugal, no dia 16 de junho, a projeção para o crescimento económico em 2023 foi estimada em 2,7%, representando uma melhoria de 0,9 p.p. face ao previsto no Boletim Económico de março. A revisão em alta reflete sobretudo o desempenho económico acima do esperado no primeiro trimestre do ano (1,6% em cadeia), sustentado pelo dinamismo das exportações. Em 2024 e 2025, a economia portuguesa deverá crescer 2,4% e 2,3%, respetivamente, revisões em alta, embora de menor magnitude, face ao projetado anteriormente (2% nos dois anos).
A procura interna foi revista em alta em todo o período de projeção (2023 a 2025), num contexto de perspetivas de subida do rendimento disponível real e de manutenção de dinamismo no mercado de trabalho. Para 2023, espera-se um crescimento do consumo privado de 1,6% (0,3% nas previsões anteriores), acelerando nos dois anos seguintes para 1,7%. Já a formação bruta de capital fixo deverá variar 3,1% este ano (mais 0,8 p.p. face à previsão de março) e nos próximos dois anos crescerá em média 5,3%, refletindo a aplicação dos fundos europeus recebidos e a gradual moderação das taxas de juro. O consumo público foi revisto em baixa, para 1,5% em 2023 (1,8% nas previsões anteriores), desacelerando progressivamente até atingir os 0,9% em 2025.
Do lado da procura externa, após um crescimento expressivo de 16,7% em 2022, as exportações deverão desacelerar para 7,8% em 2023, uma revisão de mais 3,1 p.p. face às previsões de março, suportado pelo significativo crescimento no primeiro trimestre (6,8% em cadeia). Em 2024 e 2025, o ritmo de crescimento abrandará, em termos médios, para 4,1% (3,8% nas previsões anteriores). O crescimento das exportações de turismo deverá abrandar, mas permanecer a um ritmo assinalável. Já as importações deverão crescer 4% em 2023 (2,4% nas previsões de março), e 4,1%, em média, nos dois anos seguintes.
No que respeita ao mercado de trabalho, a taxa de desemprego deverá acelerar para 6,8% em 2023 (6% em 2022), num contexto em que se mantém a pressão da procura face à oferta. No entanto, representa uma revisão em baixa face ao estimado em março (7%). Nos dois anos seguintes manter-se-á nos 6,7%.
Após ter atingido os 8,1% em 2022, a inflação desacelerará nos próximos anos, refletindo a redução das pressões inflacionistas externas e a maior restritividade da política monetária. Para 2023, é esperada uma inflação de 5,2% (menos 0,3 p.p. face às previsões de março) e para 2024, de 3,3% (mais 0,1 p.p. face às previsões anteriores). Em 2024, o valor permanece o estimado em março: 2,1%. A revisão em baixa para 2023 reflete a diminuição das pressões inflacionistas externas e o impacto da redução do temporária do IVA.
O Banco de Portugal publicou, pela primeira vez, projeções orçamentais, salientando um saldo orçamental próximo do equilíbrio até 2025, com uma melhoria estimada em 2023, para -0,1% do PIB (-0,4% em 2022), e excedentes de 0,2% nos dois anos seguintes. Quanto à dívida pública, é esperada uma redução para 103,4% do PIB, em 2023 (113,9% em 2022), projetando-se valores abaixo dos 100%, em 2024 e 2025 (97,1% e 92,5%, respetivamente).