null Banco de Portugal revê em baixa crescimento de 2026 considerando o impacto do conflito no Médio Oriente e das intempéries no início do ano

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No dia 25 de março, o Banco de Portugal (BdP) publicou o Boletim Económico de março, apresentando uma revisão em baixa de meio ponto percentual no crescimento económico de 2026 face à última publicação de dezembro de 2025. Esta deterioração reflete o atual contexto geopolítico marcado pelo conflito no Médio Oriente, assim como pelas tempestades que assolaram o país no início deste ano. No ano de 2027, o crescimento foi revisto ligeiramente em baixa para 1,6%, mantendo-se os 1,8% para 2028.
Todas as componentes que constituem o PIB (Produto Interno Bruto) foram revistas em baixa, sendo que a mais acentuada foi na FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), com uma queda de 2,2 p.p. para um crescimento de 3,8%. Em 2028, ano de transição entre quadros financeiros plurianuais, o crescimento desta componente deverá estagnar. Por sua vez, a componente privada continuará a registar um crescimento fraco este ano, acelerando nos anos seguintes para uma média de 3,6%. Este valor está rodeado de elevada incerteza devido a aumento dos custos marginais de produção, agravamento de condições de financiamento e necessidades relacionadas com a transição energética e digital.
A evolução do investimento, assim como do consumo privado, que constituem a procura interna, continuarão a sustentar o crescimento económico. No caso do consumo privado, a projeção assenta numa desaceleração para todo o período, espelhando um crescimento mais moderado do rendimento disponível, resultante da desaceleração do emprego (crescimento médio nos três anos de 0,6%), dos salários reais e ausência de medidas adicionais de apoio ao rendimento, assim como de manutenção de taxas de poupança em níveis elevados, motivada pelo nível atual das taxas de juro, elevada incerteza e intenção de compra de habitação.
No setor externo, as exportações deverão exibir um comportamento de recuperação gradual, crescendo em linha com a procura externa.
Quanto à inflação, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), esta foi revista em alta para 2,8% (mais 0,7 p.p.) em 2026, fruto do aumento dos preços energéticos na sequência do conflito militar, e da sua transmissão desfasada aos preços de outros bens e serviços, diminuindo nos anos seguintes.

O cenário do BdP está rodeado de um quadro de elevada incerteza, em que o prolongamento do conflito militar no Médio Oriente pode originar novas subidas das matérias-primas, aumentar a volatilidade nos mercados financeiros e gerar disrupções nas cadeias de abastecimento, prejudicando a atividade económica, levando a uma inflação mais alta. Outro fator negativo consiste na não execução dos fundos do PRR. Por outro lado, o novo programa de recuperação e resiliência de resposta à catástrofe climática (PTRR), o programa de defesa e infraestruturas da U.E e os investimentos em novas tecnologias podem beneficiar o crescimento.