null 114ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE

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No âmbito da 114ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE, realizada a 18 de março de 2026, foi apresentado o artigo “The Impact of the Minimum Wage on Inequality: Cross-Sectional vs Lifetime Perspectives” da autoria de Francisco Libano‑Monteiro, professor assistente e estudante de Doutoramento na London School of Economics.

O estudo analisa os efeitos de um aumento permanente do salário mínimo nacional em Portugal entre 2007 e 2010, período em que o salário mínimo real cresceu 16,5%, avaliando não só a desigualdade num dado momento como também ao longo da vida. Com base nos Quadros de Pessoal e explorando a heterogeneidade de exposição ao aumento do salário mínimo entre trabalhadores posicionados ao longo da distribuição salarial de 2006, o autor estima os efeitos durante a fase de subida do salário mínimo e até oito anos após a reforma.

Os resultados mostram que, durante o período de implementação da reforma, o salário mínimo reduz significativamente a dispersão salarial: trabalhadores no limite inferior registam ganhos salariais de 10 pontos percentuais, observando-se ainda efeitos de spillover que se prolongam até à mediana. Contudo, estes efeitos revelam‑se transitórios. Quatro anos após a estabilização do salário mínimo, cerca de 70-80% dos ganhos iniciais desaparecem, permanecendo apenas 2-3 pontos percentuais, concentrados nos trabalhadores de menores salários em 2006.

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O artigo identifica duas razões principais para esta convergência: (1) elevada mobilidade salarial, com a maioria dos trabalhadores inicialmente no salário mínimo a progredirem naturalmente ao longo do ciclo de vida e (2) fracos efeitos do aumento do salário mínimo sobre variáveis que determinam salários futuros, como horas trabalhadas ou mobilidade para empresas mais produtivas.

Assim, embora o salário mínimo reduza de forma expressiva a desigualdade salarial corrente, com uma diminuição de 10% no rácio P90-P10, o seu impacto na desigualdade de rendimentos ao longo da vida é muito mais reduzido, sendo este inferior a 1%. O estudo conclui que os aumentos do salário mínimo são eficazes para reduzir desigualdades num dado momento, mas tendem a não alterar de forma estrutural as trajetórias salariais de longo prazo dos trabalhadores, sendo por isso limitados no combate à desigualdade ao longo da vida.

Anexo:

Apresentação: The Impact of the Minimum Wage on Inequality: Cross-Sectional vs Lifetime Perspectives