null 113ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE

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No passado dia 24 de fevereiro, foi realizada a 113ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/GEE que contou com a apresentação do artigo intitulado “O Papel das Reservas na Reestruturação da Dívida Soberana e nos Ajustamentos Fiscais” publicado no Journal of Economic Dynamics and Control, da autoria do Dr. Tiago Tavares, investigador e professor na Universidade do Minho.

O autor procura analisar o impacto da acumulação de reservas internacionais, sobretudo verificado em economias emergentes, que tendem a apresentar, também, valores elevados de dívida externa. Estas reservas configuram, não só, uma fonte de custo associado ao pagamento de taxas de juro elevadas (especialmente em tempos de crises financeiras, onde os spreads atingem valores significativamente mais altos), mas também um bom indicador de solvabilidade e segurança aos olhos dos investidores externos. Assim, este artigo aprofunda a compreensão dos benefícios associados à posse de elevadas reservas internacionais, sobretudo em épocas de crise financeira, onde a política fiscal tende a ser pró-cíclica.

O modelo desenvolvido é caracterizado por um agente representativo e o Estado que, em caso de crise, pode ou não entrar em incumprimento e proceder à renegociação da dívida, com os mercados internacionais a poderem terminar o financiamento em caso de default. Neste cenário, a existência de reservas internacionais permite uma restruturação da dívida e pagamento aos credores, mantendo o acesso do governo aos mercados internacionais e, assim, também a suavização do seu nível de consumo.

Modelo: Tabela

Direitos de autor: Tiago Tavares

O modelo reproduz resultados próximos do padrão do ciclo económico observado em economias emergentes: uma volatilidade excessiva do consumo face ao produto e um spread e uma balança comercial contra-cíclicos. Concomitantemente, para o caso mexicano, o modelo sugere que os níveis de reservas ótimos procurados são de cerca de 9% do PIB. Estas são adquiridas por motivos de precaução em períodos de crise, suavizando distorções fiscais e fortalecendo o compromisso com os credores, resultando em juros mais baixos em períodos de não-incumprimento.

Assim, a detenção de reservas internacionais permite mitigar crises: num modelo onde o governo tem acesso a reservas, a queda do PIB é menor do que quando não tem acesso; mitigam-se as perdas de consumo e reduz-se o custo de financiamento.

Anexo:

Apresentação: The Role of International Reserves in Sovereign Restructuring under Fiscal Adjustment