null 116º Seminário GPEARI/DGE “O papel das Políticas Públicas no crescimento do fenómeno das empresas 'zombie'. Que medidas para direcionar o financiamento para as empresas produtivas?”

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No dia 27 de maio, realizou-se a 116ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE, que contou com a apresentação da tese de doutoramento em Políticas Públicas intitulada "O papel das Políticas Públicas no crescimento do fenómeno das empresas 'zombie': Que medidas para direcionar o financiamento para as empresas produtivas?", da autoria de Gabriel Osório de Barros, investigador no ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.
Com um percurso de investigação sobre esta temática que remonta a 2017, o autor procurou analisar em que medida políticas públicas inadequadas podem contribuir para a proliferação de empresas "zombie" em Portugal. Esta classificação é atribuída a empresas, com mais de 10 anos de atividade, economicamente inviáveis que, apesar de não conseguirem gerar rendimento suficiente para cobrir os custos da dívida, sobrevivem artificialmente graças a apoios públicos. A investigação assentou numa abordagem metodológica mista, combinando uma revisão estruturada da literatura, entrevistas semiestruturadas a especialistas e um inquérito a 43 empresas.
Os resultados evidenciam o carácter ambivalente das políticas públicas: se por um lado, estas podem revelar-se essenciais em contextos de crise, por outro, tendem a prolongar a sobrevivência de empresas inviáveis quando os apoios concedidos são pouco seletivos e insuficientemente monitorizados. Entre os principais resultados do inquérito, destaca-se a identificação de 11,6% de empresas potencialmente “zombie” na amostra, valor consistente com as estimativas da literatura para Portugal. Adicionalmente, 51,2% das empresas consideram que as políticas atuais contribuem para a manutenção de empresas inviáveis em atividade, enquanto 76,7% reconhecem que os apoios recebidos apenas prolongaram a atividade das empresas sem estimular reformas estruturais.
Apesar da relevância da componente financeira na perpetuação destas empresas, o autor destacou igualmente a importância de componentes burocráticas e comportamentais, nomeadamente as barreiras institucionais aos processos de saída e reestruturação, os vínculos emocionais dos empresários às empresas e o estigma do fracasso empresarial.
Entre as medidas mais promissoras identificadas pela investigação, salientam-se o reforço da seletividade dos apoios públicos, a intensificação da supervisão financeira, a agilização dos processos de reestruturação e insolvência e a promoção da inovação e qualificação da gestão empresarial.
Anexo: