null Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento apelam a reformas para atrair investimento para o continente

Direitos de autor da imagem: Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD)/Flickr

A Reunião Anual dos Conselhos de Governadores do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento teve lugar entre os dias 25 e 29 de maio, em Brazzaville, República do Congo, sob o tema chapéu “Mobilizing Africa’s Development Financing at Scale in a Fragmented World”.

Na cerimónia de abertura da sua primeira Reunião Anual na liderança da instituição, o Presidente Sidi Ould Tah referiu a importância do continente africano dispor de uma arquitetura financeira adequada para responder às suas necessidades de desenvolvimento e apoiar a transformação estrutural das suas economias. Tal faz parte da constatação da existência de ativos estratégicos e poupanças domésticas muito significativas, aliadas à necessidade de estabelecer parcerias fortes entre instituições financeiras domésticas e regionais.

Em linha com essa narrativa, no painel de alto nível, que contou com a presença de chefes de Estado de vários países africanos, estes exortaram à necessidade de se mobilizar mais capital privado para a agenda de desenvolvimento, bem como à importância de se fazer um aproveitamento mais eficaz dos recursos naturais do continente.

No Diálogo de Governadores, foi consensual a necessidade de se reformar a arquitetura financeira do continente tendo em vista a mobilização de recursos em larga escala, em ligação com os Quatro Pontos Cardinais e a New African Financial Architecture for Development (NAFAD), incluindo o Consenso de Abidjan – iniciativas “bandeira” do Presidente Tah – tendo os Governadores exortado o Banco a acelerar os trabalhos tendo em vista a sua operacionalização. Os Governadores aludiram ainda à importância de instituições sólidas, ambiente favorável de negócios, apoio na preparação de projetos bancáveis e instrumentos de partilha de risco (garantias) como elementos essenciais para reforçar a mobilização de capital em prol do desenvolvimento de África. No que a reformas internas diz respeito, os Governadores apelaram a um Banco mais ágil, flexível e próximo dos clientes.

É ainda de destacar o anúncio de uma contribuição de 6,5 milhões de euros por parte de Angola para a 17.ª Reconstituição de Recursos do Fundo Africano de Desenvolvimento, tornando-se no 25.º país regional a contribuir para este ciclo. De igual forma, destaca-se a mesa-redonda de alto nível de angariação de fundos para o Fundo Azul da Bacia do Congo, realizada à margem da Reunião Anual, no decurso da qual os doadores se comprometeram a contribuir com mais de 3 mil milhões de dólares para 63 projetos visando salvaguardar um dos mais importantes “pulmões do mundo”.

O comunicado final foi aprovado por todos os acionistas, à exceção dos Estados Unidos da América.

O Grupo do BAfD conta com 81 países acionistas e é uma importante fonte de financiamento para o desenvolvimento dos 54 países beneficiários do continente africano. Portugal é acionista do Banco desde 1983.