null Reuniões Anuais do FMI e do Grupo Banco Mundial de 2026 colocam emprego e a inteligência artificial no centro da agenda

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As Reuniões Anuais dos Conselhos de Governadores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo Banco Mundial (GBM) decorreram entre 12 e 18 de outubro de 2026, em Banguecoque, Tailândia.

O encontro reuniu responsáveis políticos, líderes empresariais, instituições financeiras e representantes da sociedade civil para debater as perspetivas económicas mundiais, a estabilidade financeira e os desafios do endividamento, num contexto caracterizado por uma elevada incerteza. A criação de emprego, a inteligência artificial, o financiamento ao desenvolvimento e a resiliência a conflitos e choques económicos estiveram entre os temas centrais.

No lado do GBM destacam-se o recorde de 112 mil milhões de dólares de capital privado mobilizado no exercício de 2026 e a aposta numa nova classe de ativos para projetos em mercados emergentes. Foi também lançada uma estratégia para micro, pequenas e médias empresas, assente em quatro objetivos — torná-las visíveis, conectadas, capacitadas e financiadas. A chamada “Small AI”, concebida para funcionar em equipamentos simples e resolver problemas locais, foi apresentada como uma ferramenta capaz de aumentar a produtividade e criar oportunidades, nomeadamente em setores como a agricultura e a saúde.

Na 114.ª reunião do Comité de Desenvolvimento, os participantes reconheceram que a economia mundial tem demonstrado resiliência face a choques recentes, mas   permanece exposta a riscos associados a conflitos, tensões geopolíticas, perturbações nas cadeias de abastecimento e transformações estruturais. O comunicado final destacou a importância da estabilidade macroeconómica, da sustentabilidade orçamental e da cooperação internacional para promover o crescimento económico, reduzir a pobreza e criar emprego, com particular enfoque no desenvolvimento do setor privado e na mobilização de capital privado. Foi ainda valorizada a atuação do GBM no apoio a países em crise, na proteção social e no acesso a bens e serviços essenciais, da eletrificação e da adaptação climática, bem como o reforço das capacidades institucionais, da digitalização e da utilização segura da inteligência artificial.

As reuniões ficaram ainda marcadas pelo lançamento do Philanthropy Hub, destinado a aproximar financiamento, conhecimento e redes filantrópicas às prioridades de desenvolvimento. Esta iniciativa reflete a importância atribuída à articulação de diferentes fontes de financiamento, incluindo recursos públicos e investimento privado, bem como ao recurso à tecnologia para responder às necessidades específicas de cada país.

A delegação portuguesa foi chefiada pelo Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, tendo sido acompanhado pela Secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Claúdia Reis Duarte. Durante o evento, a delegação portuguesa manteve um conjunto de encontros bilaterais, incluindo com as equipas do FMI e do GBM.

O GBM integra a AID (doações e empréstimos concessionais aos países mais pobres), o BIRD (financiamento a países de rendimento médio) e a SFI (apoio ao setor privado em países em desenvolvimento). Adicionalmente, conta com a MIGA, que promove investimento estrangeiro por meio de garantias, e o CIADI, que arbitra disputas de investimento entre Estados e investidores.