null 119ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE

Direitos de autor da imagem: NATO (https://www.nato.int/en)
No passado dia 22 de outubro, realizou-se a 119ª edição do ciclo de Seminários GPEARI/DGE, que contou com a apresentação dedicada ao tema “Simulação do impacto macroeconómico do aumento da despesa em defesa nos membros da NATO com o NiGEM”, apresentada por João Leal (CFP), Luís Guia (GPEARI) e Miguel Andrade (GPEARI).
Partindo do compromisso assumido na Cimeira da NATO, em Haia, em junho de 2025, de elevar a despesa em defesa em sentido estrito para 3,5% do PIB até 2035 (meta da qual Portugal ainda se emcontra a 1,4 p.p.), os autores simularam o impacto macroeconómico deste reforço em 16 países da Aliança. Recorreram, para tal, ao NiGEM, um modelo macroeconométrico global que interliga as economias através dos mercados financeiro, cambial e comercial, comparando cenários que diferem na composição da despesa e na coordenação entre países.
A análise foi enquadrada na literatura recente, com destaque para o relatório de Ethan Ilzetzki “Guns and Growth: The Economic Consequences of Defense Buildups” (Kiel Institute, 2025), segundo o qual o reforço da despesa em defesa tende a expandir a atividade nas economias avançadas. Contudo, a resposta do consumo e do investimento privados depende, contudo, da forma de financiamento e da reação do banco central, e os ganhos de longo prazo dependem da aposta em I&D e em tecnologias de dupla utilização.
Para Portugal, os resultados apontam para um impacto positivo, mas moderado. No cenário de referência (ação isolada, com dois terços do aumento em investimento público), o PIB situa-se, em média, 0,53% acima do cenário base entre 2027 e 2035. O investimento privado é estimulado, mas o consumo das famílias recua, refletindo o ajustamento orçamental após o financiamento inicial por dívida. Com multiplicadores orçamentais estimados entre 0,3 e 0,5, consoante o cenário, os ganhos de atividade não asseguram o autofinanciamento da despesa.
A coordenação entre aliados reforça as exportações portuguesas (+0,86 p.p.), mas o ganho adicional no PIB é modesto (+0,09 p.p.), dado que a resposta mais restritiva da política monetária atenua o estímulo ao investimento privado. Já a composição da despesa revela-se determinante: privilegiar o investimento público, em detrimento do consumo, gera efeitos mais persistentes no PIB e praticamente duplica o impulso ao investimento privado.
Os autores ressalvaram que as simulações são ilustrativas, assumindo trajetórias de despesa estilizadas e financiamento nacional, e não captam os ganhos de produtividade da I&D em defesa. Notaram ainda que o encarecimento do financiamento desde o início do trabalho acentuou a tensão entre a despesa em defesa e outras prioridades orçamentais.

Direitos de autor de imagem: João Leal, Luís Guia, Miguel Andrade
Anexo: